quarta-feira, 22 de maio de 2013

Reconectando-se [MEIO]

Eu, em um dos raros auto retratos que costumo fazer


Depois de maio de 2012, as corridas ficaram mais tristes.  Não havia mais a companhia,  a companheira ou os sorrisos das manhãs de sábado. Eu estava realmente focado em ajuda-la a correr. Só não imaginaria que sentiria algo mais do que a vontade de ajudar.
 De uma hora para outra o significado dos treinos na USP mudaram. Cada passada ressonava um lembrete do por que eu havia feito aquilo. O grande problema é que nem eu mesmo entendia porque, a partir de 25 de janeiro,  aquele retrato que ela havia publicado em uma rede social disparou outra forma de sentimento em mim. Justo eu, que havia terminado de forma traumática meu último namoro,  e havia prometido nunca mais sentir qualquer relação afetiva por outra mulher, acabei me apaixonando justamente pelos pequenos defeitos dela. Se não estivéssemos correndo juntos, talvez isso nunca teria acontecido.
 Então a USP tornara-se um percurso non grato. Começamos a treinar lá, e acabamos nossos treinos por lá também.  E desde então,  evitava o caminho que não tinha somente marcações de quilometragem ou percurso,  mas também lembranças das primeiras passadas dela e as alegrias dos treinos. Foi então q em maio/abril voltei para um amor de infância: La Bici.


 Por alguns meses,  acabei reduzindo os treinos running. Eles me lembravam os melhores momentos que passamos juntos. Foi um período onde pude pensar bastante sobre o verdadeiro sentido da amizade,  e como podemos descobrir se realmente ela é verdadeira quando posta à prova. Claro que eu treinava,  mas em ritmo e volumes muito inferiores ao que treinava nos últimos meses.
 Felizmente,  a bike e a corrida se mostraram os melhores psicólogos que eu pude ter. Em momentos tristes,  pegava a minha magrela, e sem destino, vagava nas manhãs de domingo entendendo a mim mesmo e as reações causadas pelos meus atos. Uma boa conversa com você  mesmo é a melhor forma de entender o que deve ser feito. Eu já havia feito isso no dia 16 de maio,  pela primeira vez declarando um sentimento de afeto por minha amiga.
E aos poucos, através de amigos como Marcos,  Aline,  Claudia,  Daniel e Fernando,  fui recobrando a vontade de treinar e a motivação. Ora por conta de amigos que tinham vontade de iniciar na corrida,  ora por amigos que sempre tinham a vontade de superar seus limites atuais. É como diz o ditado: "se sozinho corremos mais rápido,  juntos vamos mais longe". E assim fui mantendo a vontade de praticar mais e mais. A importância da Claudia, do Marcos e da Aline durante este período foi de extrema importância. Eu procurava respostas para uma questão pessoal, e não encontrava lógica para a perda de uma amiga muito querida. Foi então que 2012 se tornou um tormento nos últimos meses, sem contar que eu não estava satisfeito com o trabalho, que era algo muito operacional e sem vida.

Quando tirei férias em julho, outro acontecimento me fez ficar mais triste ainda: o acidente que sofri na ciclovia. Então comecei a entender que tudo estava contra mim. Havia perdido minha melhor amiga, meu emprego estava horrível e agora o acidente para me colocar no chão e sentir o gosto amargo do asfalto. Nada mais me faltava para entender que a vida é triste e dura, não há ternura em nenhum momento.
Ao mesmo tempo, senti que cada vez mais o q me mantinha vivo era o amor que tenho à
 minha mãe. A única coisa que posso me apegar na vida. Como acidente, que aconteceu no quinto dia de minhas férias, não pode participar de treinos e corridas, o que contribuiu mais ainda para que eu não tivesse vontade de correr. Assim, meu interesse pela corrida foi diminuindo. Justo a coisa que eu mais amada e estava correndo o risco novamente de perder a vontade de correr, por questões emocionais.
Os meses foram passando e eu não encontrava respostas. A corrida diminuiu, mas nunca parou. As atividades têm servido como ótimas psicólogas.
Tudo que eu esperava para o fim do ano de 2012 era que esse ano acabasse logo. Desastres amorosos, acidentes e tristezas profissionais. Tudo conspirava para entrar em parafuso. Tudo o que pedia era que 2013 fosse um ano melhor. Não haviam grandes expectativas, nem alegrias por um novo ano, eu só queria um ano com menos problemas e interferências.
Foi aí que 2013 teve início. Como nos últimos anos, passei a correr no primeiro dia do ano para que os outros 364 dias melhorassem. Uma corrida (La Prima) no início do ano sempre é bem lembrada. Eu precisava voltar a praticar mais corridas, fazer mais treinos e esquecer tantos problemas que eu carrego em minha mente.
Continua...

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