sábado, 6 de abril de 2013

Você e as ruas (Quando não existem medalhas) [Devaneios]


Você olha para a cidade, e ela olha para você. Não há nada mais o que fazer, a não ser correr. Você não ouve nada, a não ser a música que te impulsiona a seguir em frente. A cidade está nua, ainda se recuperando da noite badalada e efervescente. Mas você não! você está de pé, no asfalto frio e sujo, sem ninguém por perto. No outono onde todos querem calor, você procura o frio. Onde todos querem casacos, você não precisa disso. É suficientemente forte para estar de pé onde outros não imaginariam estar nem em sonho (aliás, muitos não terminaram de sonhar). Alguns carros passam, mendigos procuram calor no concreto liso e gélido da metrópole. Suas passadas são percebidas, mas você não os nota, pois a música lhe impede de sentir as dores do mundo. Você quer chegar lá, vai chegar lá. A melhor coisa da manhã de um domingo é sentir a realidade das ruas, sem holofotes e pontos de dispersão. A desconstrução do que chamam de metrópole a ponto de sentir-se num lugar inóspito, cheio de vida vazia e sem os amores outrora declarados em uma tarde quente de verão. O passo é par, e o par é passo. Esqueça o amor, não há espaços vazios a serem preenchidos por aqui. Esqueça a vida, pois a sua é a única que vive dentre tantas existentes.
Esqueça as medalhas, pois não existe recompensa neste mundo. E você vai estar lá, de pé, a 6:30,5:15 ou 4:30 por KM. No lugar em que deveria estar, na hora que quer estar. Quando não existem medalhas, somente você e as ruas.

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