terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ciclovia na CPTM?

 

Como resolvi voltar de trem do trabalho hoje, notei algo interessante na linha da CPTM da Zona Sul de São Paulo: Uma parte da pista asfaltada que existe em paralelo à linha férrea da CPTM está sendo pintada com as mesmas cores do padrão das Ciclovias da cidade (Uma cor terracota, quase magenta). A princípio a pintura iniciava na estação Morumbi e se estendia até a Berrini.

01ciclovia_metro_zona_leste

Exemplo de Ciclovia Paulista

Desde muito tempo venho pensando nesta idéia. Como esta parte da pista passa quase o dia inteiro ociosa, seria de muito bom grado utilizar esta área para a prática de atividade física na cidade. Creio que os corredores compartilham destas mesmas idéias. Cada espaço urbano deve ser pensado como um lugar de travessia, passeio e atividade física, uma vez que a cidade demanda cada vez mais por espaços assim. Se realmente vingar esta idéia, e o trajeto for utilizado mesmo que parcialmente, serão quase 10KM da estação Jurubatuba até a estação Berrini para a prática esportiva (Somando-se ida e volta, chegamos a 20,5KM!). Serão 10K de percurso praticamente plano, porém ao lado de um Rio (ainda) não muito agradável.

Creio que,com esta proximidade da linha férrea, muita gente que está acostumada a andar de trem, ao ver os corredores na pista, terão interesse em começar a praticar uma atividade física também. Este modelo seria até viável economicamente para a empresa. Ela cobraria da mesma forma que já cobra pela entrada nos trens, porém o corredor/ciclista utilizaria uma passarela para  obter acesso a área da prática esportiva e a parir de lá iniciaria seu trajeto, e assim poderia chegar às estações seguintes e obter acesso às áreas externas.

Neste Link você pode pré-visualizar uma rota que eu criei imaginando este percurso. É claro que esta é só uma amostra. Se a CPTM pensar em um futuro em que as pessoas estarão altamente preocupadas com a saúde, a tendência é que esta iniciativa se espalhe por outras estações da Capital e também do estado. Sonhar nunca é demais, não é?

Vamos acompanhar, creio que esteja nascendo um novo modo de ver os transportes públicos na cidade.

8 comentários:

cachorro morto disse...

o medo é que vire pista de cooper. ciclistas e corredores no mesmo espaço apertado não se dão bem. corredores vão devagar.

nesse trecho, deve haver um grande fluxo de trabalhadores usando suas bicicletas como meio de transporte.

André Pasqualini disse...

Concordo com o Cachorro, fiz umas matérias e estudos sobre essa ciclovia e com certeza, se fizerem os acessos prometidos (nas pontes Socorro, João Dias e Morumbi) teremos um enxame de ciclistas e a maioria de ciclistas trabalhadores que andam com bicicletas simples e usarão a ciclovia para se deslocar e sabemos que não é muito bom ter pessoas correndo em ciclovias, ainda mais em São Paulo onde são tão escassas.

Do outro lado do rio já existe uma pista de terra que pode muito bem ser usada para caminhada e treinos de corrida e não precisam esperar essa pista aí abrir para acessa-la, podem fazer já, de imediato. Vejam essa matéria que fiz no CicloBR que fala um pouco dessa futura ciclovia.

http://www.ciclobr.com.br/diasemcarro/noticias108_Ciclovia_da_Marginal_Pinheiros_Tudo_que_voce_queria_saber_mas_ninguem_conseguia_explicar.asp

cachorro morto disse...

agora que atentei pra um outro detalhe desse texto:
cobrar pela entrada?
essa ciclovia tá decorrendo do trabalho de trocentos ativistas, técnicos em transportes e etc, visando incentivar o uso de BICICLETA como meio de transporte, e vc tá querendo botar tudo isso abaixo e transformar num parque privado?

André Pasqualini disse...

Complementando meu post de cima, segue uma foto que tirei durante as pesquisas.

http://ciclobr.multiply.com/photos/album/124/Ciclovia_Marginal_-_Contagem_de_carros_na_ciclovia#photo=17

Já existe a pista, já tem gente correndo e é de "gratis", não tem que pagar nem estacionamento.

Ismael Paulo Santos disse...

Olá Cachorro. Primeiramente obrigado por ler a minha matéria. O que notei é que há duas formas desta via ser usada: Como uma Ciclovia (O que é o projeto inicial, pelo que vejo) e como pista de corrida/caminhada.
Um ponto que você comentou que realmente pode preocupar é o imenso número de trabalhadores que poderão utilizar a pista somente para ir e voltar do trabalho, e não realmente como prática esportiva. Neste caso, acho realmente injusto com os ciclistas (como o André, que está super engajado neste projeto) ter que dividir espaços com os "Tiozinhos" que vão para o trabalho de bike.
Por outro lado, vi uma grande possibilidade dos corredores conscientes utilizarem a pista como local de treino/passeio. Creio que haverá um espaço de passeio nesta via, e poderá ser utilizada pelos corredores.
Um ponto que comentei sobre a cobrança era para que, justamente por ter que entrar na estação, que esta pista sofresse uma manutenção constante através dos valores investidos com as passsagens (Fluxo que já existe nas catracas da CPTM)e com o controle e monitoramento por parte da equipe de segurança da estação. Agora como você disse, se houver a gratuidade, desde que haja manutenção da via e segurança, seria melhor ainda.
Quanto ao acesso ao outro lado do Rio, isso inviabiliza e muito a ida dos esportistas ao outro lado, já que não existem passarelas ou pontes para trafego de pedestres.
Muito legal o site que você indicou André, posso colocar um link para ele na pagina?
Abraços,

Andre Pasqualini disse...

Ismael, acho que você não compreendeu direito a minha preocupação com essa mensagem.

Primeiro os "Tiozinhos" são ciclistas também e indiretamente estão praticando uma atividade esportiva. Eles são tão ciclistas e tem tantos direitos como os "ciclistas esportistas" que vão pedalar nessa pista para treinamentos e isso é outra preocupação, pois se a pista tiver um grande fluxo de ciclistas, pode ser prejudicial o uso dela para treinos de velocidade. Mas isso é uma especulação que só o tempo responderá.

Já a mistura de ciclovia com pista de cooper eu tenho minhas resistências devido a inúmeras experiências que já tive. Creio que o mais importante é priorizar o ciclista trabalhador, aquele que tem benefícios financeiros e de saúde com o uso da bicicleta para o deslocamento diário.

Depois tem o ciclista de lazer que poderá utilizar essa pista para fazer um longo passeio sem a necessidade de enfrentar o nosso trânsito caótico e por último, os que vão usar o espaço para a prática esportiva, pois queira ou não, esses até já possuem outros espaços, diferente dos citados acima.

A pista do outro lado do rio possue uma passarela de pedestres junto a Ponte João Dias e dois acessos para carros, um na Ponte João Dias e outro em frente ao Shopping Cidade Jardim e creio que é até bem mais segura para a prática de treinos de corrida, tanto é que já flagrei muitos corredores treinando naquela pista. Como a maioria dos corredores que conheço costumam se deslocar de carro até seus locais de treinamento, creio que a pista pode ser utilizada desde já.

No futuro haverá passarelas e pontes ligando as duas margens do rio e haverá sim acessos pelas estações da CPTM, a diferença é que como não é possível fazer o acesso junto com as passarelas que abastecem os trens, algumas sofrerão adaptações para que o ciclista acesse a ciclovia de forma independente.

Se quiser usar os links fique a vontade.

Abraços

André Pasqualini

renato disse...

bem,....li a materia e li os comentarios, não podemos esquecer que ciclovia é para transporte, seja dos tiosinhos de barra forte que as usam para chegar ao trabalho ou para o jovem modernoso que quer dar uma volta. é estrutura urbana voltada para o transporte mais ecologico e sustentavel que a engenharia humana já desenvolveu. lugar para treinar? temos o autodromo, a USP e as estradas o que precisamos é de ciclovia para as pessoas terem a possibilidade de deixar o carro em casa e economizar o dinheiro do busão!

Ismael Paulo Santos disse...

Olá André, notei sua preocupação com o transito na Ciclovia, porém sempre que estou na Radial leste, que também possui uma ciclovia, não vejo tanta utilização da pista que gera um tumulto considerável. Creio que só o tempo irá nos dizer o quanto a prática de mais de uma atividade física irá impactar. Quanto à utilização, concordo contigo sobre o fato de que não é a mais adequada para treinos de performance ou tiros. Acho que o melhor uso dela no caso dos corredores é realizar o percurso como via de transporte. Aquele corredor que mora em Interlagos e vai trabalhar na Berrini, com esta pista pode usar parte do percurso para chegar ao trabalho ou qualquer outro lugar que seja. Enfim, como uma via de transporte, como o Renato disse.
Quando mencionei dos “Tiozinhos”, não tinha a intenção de denegrir qualquer pessoa, e sim diferenciar o esportista (Que estaria ali puramente por esporte) do corredor que utiliza sua bike para trabalhar. Ambos (e creio que qualquer pessoa) devem ter livre acesso a esta pista e acho muito interessante o projeto da interligação dos dois lados do Rio.